Metodo Chiorlin
 

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TÍTULO: Método Chiorlin de Psicoterapia Grupal

Autor: Chiorlin Maria Vilma - Instituto Brasileiro de Biossíntese

TEXTO DO RESUMO:

Minha experiência com psicoterapia, vivências corporais, com a criação, desenvolvimento e aplicações dos métodos: Terapia Organizacional e Dança da Essencia, fundamentadas em minha formação em Psicologia e especializações em Psicodrama, Bioenergética e, particularmente, em Biossíntese, levaram-me a criar o Método Chiorlin de Psicoterapia Grupal que apresento no II Congresso Internacional de Biossíntese. O diferencial especial está no fato dos integrantes do grupo serem trabalhados concomitantemente, bem como, de serem facilitadas condições para que o cliente seja seu próprio agente de mudança.

O grupo tem uma configuração de crucial importância para cada cliente. Seus integrantes percebem que estão no mesmo barco de fato e não somente conceitualmente, na medida em que descobrem que os temas imbricam-se, sobrepõem-se, misturam-se, justapõem-se e complementam-se uns com os outros numa simultaneidade intrigante. Após breve tempo, os graus de interferência reduzem-se e os níveis de ressonância elevam-se tanto no grupo que se inicia, quanto na entrada de novos integrantes, pois a consciência da inseparabilidade e da necessidade da ajuda mútua passa a ter elevada credibilidade como fruto da compreensão efetiva de que ajudar o outro significa ajudar a si mesmo. Esta apresentação, que tem por base principal a Biossíntese, visa demonstrar descobertas e qualidades contidas no Método Chiorlin de Psicoterapia Grupal.

DETALHES DA APRESENTAÇÃO:

Tipo de apresentação: Outras: Sessão psicoterapêutica grupal
Equipamentos: Outros: aparelho de som para CDs e fitas cassete
Dia preferido para a apresentação: 11 de outubro
Número de participantes: Número máximo de 12 (doze) pessoas

MÉTODO CHIORLIN DE PSICOTERAPIA GRUPAL

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E METODOLÓGICA

Este método está fundamentado em minha formação em Psicologia Clínica e Organizacional, em minhas especializações em Psicodrama – Jacob Levi Moreno, Bioenergética – Alexander Lowen e Biossíntese – David Boadella, em meus estudos da Psicologia Budista, nos autores Fritjof Capra, Ken Wilber, Lao Tsé, Lama Anagarika Govinda, Lama Gangchen Tulku Rimpoche, Lama Tharthang Tulku Rimpoche e meus mestres internos e externos.

Em 1997 eu exercia minha atividade psicoterapêutica de grupo no formato convencional. Identificava e trabalhava o protagonista com base em minhas especializações. Além do grupo de seis pessoas, tinha clientes que atravessavam dificuldades financeiras e teriam, a contra gosto, que parar seus processos individuais. Minha experiência com psicoterapia de grupo jamais havia ultrapassado o limite de seis pessoas. A solução encontrada em conjunto foi a inclusão delas no grupo, assim, derrepente senti a angústia de ter que lidar com um grupo psicoterapêutico de 12 pessoas.

Por outro lado, havia me enriquecido nos trabalhos organizacionais, nos quais lidava com grupos numerosos. Esta experiência, somada às minhas especializações, aos estudos de Psicologia Budista, às práticas meditativas, aos Cursos de Especialização em Terapia Organizacional que ministrava e à criação e desenvolvimento da Dança da Essencia ajudaram-me a configurar este método.

Como diz Ken Wilber, ao negar facetas do ego, a pessoa acaba construindo um imagem distorcida e falsa de si mesma denominada persona. Isto significa interpor uma linha limítrofe entre persona e a sombra. As facetas negadas, ou seja, coisas que não gosta, acabam sendo projetadas, como se existissem lá fora, no meio ambiente. O que resta deste processo é a luta contra as facetas negadas (sombra) o resto da vida. Os dois lados separados por esse limite define uma batalha e a guerra interior é sentida como um sintoma. Assim, diz Wilber, ela odeia os sintomas com a mesma paixão com que odeia o que não gosta (sombra), mas como projeta a sombra nos outros, odeia-os como odeia a sombra. Os outros passam a ter o mesmo significado dos sintomas, ou seja, algo a ser combatido. Assim, múltiplas formas de batalhas tem lugar nas interações interpessoais.

De fato, os clientes chegam trazendo suas angústias e conflitos resultantes de suas interações. Assim, as colocações dos conteúdos pessoais demonstram sempre atribuições de responsabilidades aos outros, causadores dos sintomas inclusive físicos que apresentam.

Segundo Wilber, acurar a percepção da auto-imagem significa ampliar o nível atual de consciência, ou seja, alcançar uma consciência mais abrangente daquelas facetas de si mesmo, antes ignoradas. O indivíduo as identifica mais facilmente quando aparecem como sintomas, nas suas projeções ou nos seus opostos antagônicos. Abrir mão das projeções significa dissolver a linha limítrofe e incluir na própria auto-imagem, coisas estranhas que não percebia como suas. Significa abrir espaço para uma compreensão mais profunda dessa configuração. Significa uma abertura para aceitação dos vários potenciais negativos ou positivos, bons ou maus, agradáveis ou desagradáveis. Significa desenvolver uma imagem mais acurada de tudo o que envolve seu organismo psicofísico. Isto implica na expansão dos antigos limites, no remapeamento da alma de maneira que os velhos inimigos sejam transformados em aliados. No fundo, se ela não consegue descobrir o que lhe é verdadeiramente desejável, conseguirá perceber que é inteiramente digna de afeto.

Entendo que, ajudar um cliente a ampliar a consciência de sua auto-imagem, significa enveredar por um delicado caminho que serpenteie sua própria resistência. Numa expressão de ódio contra alguém de sua interação interpessoal, é preciso ajudá-lo a voltar-se para sua auto-imagem e, assim, levá-lo a acolher a pessoa e o ódio que por ela sente, bem como, localizar essa emoção no próprio corpo. O recolhimento, propicia um profundo e amplo contato com a configuração que envolve o sentimento de ódio, permitindo-lhe identificar sua origem, abrindo espaço para que possa romper o limite que se interpõe entre ela e a pessoa inimiga, facilitando o remapeamento da alma de modo a transformá-la em amiga. De fato, momento em que consegue perceber que a pessoa inimiga nada mais é do que produto da projeção de sua sombra, a guerra perde o sentido e se desfaz como se fosse por encanto.

Segundo Ken Wilber transpessoal significa ocorrência de fenômenos que vão além do indivíduo como a percepção extra-sensorial, por exemplo. O comum nas experiências transpessoais é a expansão do limite eu/não-eu, o qual ultrapassa a fronteira da pele do organismo, embora a identidade do indivíduo não se expanda até o Todo. O ponto central da discussão dos limites eu/não-eu é que não existe apenas um, mas muitos níveis de identidade disponíveis para um indivíduo.

Minha experiência prática em relação aos argumentos de Ken Wilber vincula-se a diversas ocorrências com clientes, das quais cito esta. Já fazia um mês que ele vinha queixando-se de um problema em sua garganta, o qual lhe criava dificuldade para emitir sons e articular palavras. Havia iniciado um tratamento com uma fonaudióloga indicada por seu otorrino, quando, numa das fases deste método, sentiu-se vestido de guerreiro romano. Disse que esta sensação muito nova pressionou-lhe a garganta e, sem querer fazer qualquer outro comentário, preferiu ficar deitado, quieto e sem que ninguém o molestasse. Três meses depois o problema continuava a incomodá-lo e, dentro da sessão psicoterapêutica, repetiu-se a cena, ou seja, sentiu-se novamente vestido de guerreiro romano, mas agora participando de uma guerra e matando inimigos. Nesse momento explodiu em choro. Chorando durante a partilha e chorando, ele descreveu sua experiência, quando sua voz apresentou-se mais solta, articulando sem tanta dificuldade as palavras. Uma integrante do grupo relatou que, enquanto ele chorava, ela viu a cena de um guerreiro romano, que era ele, regressando ferido de uma batalha, quando ela e outra mulher ajudaram-se para tirar sua vestimenta e cuidar de seus ferimentos. Um mês depois este cliente estava completamente recuperado e interrompido seu tratamento com seu otorrino. Este relato mostra que ambos ultrapassaram o limite eu/não-eu, reviveram uma experiência de um desconhecido nível de consciência carregado de poder de cura e de revelação. Ambos resgataram identidades antes desconhecidas, pois como nos demonstra Ken Wilber, no nível transpessoal não existe somente uma, mas muitas identidades disponíveis para cada indivíduo.

A figura 1 simboliza os diversos níveis de consciência. O nível de consciência mais restrito é a persona representada pelo círculo “A”. O ego, representado pelo círculo “B” simboliza um campo mais expandido da consciência. O círculo “C” representa um nível de consciência mais expandido que o anterior, o qual inclui o organismo total. Finalmente, os círculos e demais espaços indicados pela letra “D” representam o universo. Estes são os níveis em que se encontram as muitas identidades disponíveis ao indivíduo.

Nos níveis transpessoais é o cliente que realiza as descobertas, ele desvela a si mesmo. O psicoterapeuta somente acompanha o processo, ajudando o cliente na sua caminhada, pois é esta caminhada que lhe permitirá dar seu salto quântico, seu salto energético de cura em direção a uma existência mais saudável por meio da mudança de seu padrão comportamental. Eu, enquanto psicoterapeuta, não posso deixar-me levar por minha visão de mundo e desconsiderar algo vivenciado por meu cliente, seja interpretando em termos reais ou ilusórios, seja julgando em termos do que é certo ou errado, seja classificando em termos do que é saudável ou patológico, seja emoldurando em termos de minhas crenças ou paradigmas. Como esclarece Ken Wilber por meio de inúmeras demonstrações, os limites criados pelo mundo acadêmico ocidental em torno do que é considerado objetivo, racional, concreto, lógico, mensurável, em fim, científico, simplesmente não existem. Como ele mesmo afirma, os mapas acadêmicos representam o território, mas não são o território. Os limites estão no mapa e não no território, portanto, tais fronteiras não existem, a não ser que o próprio universo tenha algum tipo de limite.

Para encontrar estas verdades, ele nos convida a olhar cada vez mais adiante dos limites que desnecessariamente nos impomos e diz: “quando enxergamos além das ilusões dos nossos limites, sentimos, aqui-e-agora, o Universo como Adão o sentiu antes do pecado original, uma unidade orgânica, uma harmonia de opostos, uma melodia de positivo e negativo, um prazer com o jogo de nossa existência vibratória. Quando percebemos que os opostos são um, a discórdia dissolve-se em concórdia, as batalhas transformam-se em namoro e faremos amizade com todo o universo e não somente com metade”. Não satisfeito com sua próprias palavras, ele nos traz Garma Chang:

No infinito Dharmadhatu, toda e qualquer coisa inclui simultaneamente todas (as outras coisas) em perfeita integridade, sem a menor deficiência ou omissão, em todos os tempos. Portanto, ver um objeto e ver todos os objetos, e vice-versa. Isto quer dizer que uma pequena partícula individual dentro do cosmo minúsculo de um átomo na verdade contém os objetos e princípios infinitos dos infinitos universos do futuro e do passado remoto, em sua completa perfeição, sem omissões.”

Muitos, inclusive cientistas, concordam com Fritjof Capra quando diz: “As duas teorias básicas da física moderna apresentam, portanto, todas as características principais da visão de mundo oriental. A teoria quântica aboliu a noção de objetos fundamentalmente separados, introduziu o conceito de participante em substituição ao de observador e passou a ver o universo como uma teia interconectada de relações cujas partes só podem ser definidas através de suas conexões com o todo”. No fundo, tanto a ciência moderna como a filosofia oriental não encaram uma realidade cheia de limites, divisões e separações, mas como uma teia de interconexões integradas, rede não-dual de padrões inseparáveis, um infinito tecido sem emendas.

Na consciência sem limites não estamos olhando para o verdadeiro território sem limites, não. A consciência da unidade é o verdadeiro território sem limites, o nosso Eu Verdadeiro e para demostrar categoricamente, Ken Wilber cita Erwin Schröedinger, prêmio Nobel de 1933:

“Podemos atirar-nos por inteiro sobre o solo, estirados sobre a Mãe Terra, com certeza absoluta que nós e ela somos a mesma coisa. Somos tão firmes, tão estabelecidos, tão invulneráveis quanto ela, ou, ainda, mil vezes mais firmes e invulneráveis. Ela certamente nos engolirá amanhã, assim como nos trará de volta novamente para novas lutas e novos sofrimentos. E isso não ocorrerá “num certo dia” : agora, hoje, todos os dias, ela nos traz de volta, não uma mas milhares de vezes, e, do mesmo modo, ela nos engole milhares de vezes todos os dias. Isto porque eternamente e sempre há apenas o agora, um único agora o presente é a única coisa que não tem fim”.

Para mim, ser curador significa movimentar-se na direção da criativa unidade universal, experimentar o amor pela reidentificação com o Todo e perceber com generosidade, compaixão e clareza transcendente, que cada parte, de uma partícula subatômica a uma galáxia, contém o Todo e é o Todo, ou seja, Deus. Caminhar nessa direção significa abrir mão das limitadas definições, dos restritos conceitos de divisões e separações contidos nas visões cartesianas e newtonianas. Como nos diz Ken Wilber: “Somos campos de energia e, uma vez associados a estes, a consciência mais elevada se associa a uma freqüência mais alta e a uma coerência maior”. E ele recorre a Sri Ramana Maharshi:

“Não há criação nem destruição,
Destino ou livre-arbítrio,
Caminho ou consecução;
Essa é a verdade final.”

O grupo tem uma configuração muito importante para cada cliente. Todos estão de fato no mesmo barco, os temas imbricam, misturam-se, justapõem-se, complementam-se uns com os outros. Após breve tempo, seja quando um grupo inicia um processo neste método, seja no ingresso de novo integrante, o nível de interferências é baixo, pois a interação grupal passa dos padrões cristalizados para graus cada vez mais elevados de ressonância, onde todos podem cooperar com todos. Entendem que não há separações e ajudar o outro passa a significar ajudar a si mesmo.

Tarthang Tulku diz: “A mente, em sua verdadeira natureza, não tem dualidade, não está separada da unidade de tudo o que existe, nossas vidas tornam-se a nossa meditação. A meditação não é uma técnica para fugir deste mundo (mas...) um bom professor que podem guiar, amparar e ajudar a nossa mente a tocar diretamente nosso ser mais íntimo, sem paredes que nos separem de nossa percepção, da nossa inspiração e da nossa intuição”.

Tenho percebido que, ao mergulhar em processos meditativos descobrimos que não precisamos de justificativas intelectuais para comprová-la, tampouco para justificar o que e quem somos, pois nossa identidade redutora vai dissipando-se como a escuridão com a expansão da luz. Com essa compreensão não precisamos lutar contra as emoções negativas do ego, nem permanecer enceguecidos pelas discriminações entre dualidades como bem e mal, positivo e negativo, espiritual e terreno, mas caminhar para uma existência mais iluminada que faculta a compreensão diferenciada e indescritível da vida.

Sobre a meditação, o Lama Gangchen T. Rimpoche nos diz que cada meditação é o mundo o mundo inteiro. Alguns entram nessas realidades, amplia a consciência da meditação e rompe os selos das raízes dos chacras e, assim, abrem uma porta de conexão com níveis superiores de consciência. Quando a limitada mente racional é silenciada pelo modo intuitivo, produz uma expansão extraordinária da percepção e o ambiente é vivenciado diretamente sem os filtros do pensamento conceitual, o que é confirmado por Chuang Tsé:

“A mente serena do sábio é um espelho do céu e da terra - o espelho de todas as coisas.”

Muito das descobertas que tenho feito e dos limites contidos em minha consciência que tenho rompido, tem origem nos meus processos meditativos. As citações aqui incluídas visam dar consistência a apresentação deste método que espero fazer no II Congresso Internacional de Biossíntese porque, os resultados que venho alcançando com a meditação me permitem não depender de provas intelectuais para creditar-lhe valor. Isto me conduziu a inclui-la neste método, visando ajudar meus clientes a realizar suas próprias descobertas por meio de suas qualidades.

Segundo Boadella, Reich identificou três camadas nas expressões emocionais. Denominou terciária a mais superficial que indica o verniz social conformista e bem adaptado aos padrões culturais, chamada de ectoderma por Boadella e máscara por Jung. A intermediária de secundária que identifica as defesas de caráter, o inconsciente reprimido com seus contatos substitutivos e impulsos proibidos, freqüentemente confusos e destrutivos, chamada de sombra por Jung e configurada como mesoderma e endoderma por Boadella. A mais interior denominou primária, constituída de impulsos espontâneos que permitem contatos diretos e responsáveis com a realidade, chamada de self por Boadella, de core por Pierrakos e para mim é a primeira e mais profunda expressão da alma.

A figura 2 foi criada tendo em vista representar a forma em que Boadella aborda as interferências negativas e positivas, atitudes abertas e fechadas, bem como, as posturas ressonantes. Enquanto Essência, o indivíduo tenta expressar-se nesta escola da vida, entretanto, enfrenta represamento progressivo de sua expressão Essencial a partir do processo de socialização. Este processo repressor dá origem à primeira camada encouraçante – sombra, endoderma, mesoderma – que envolve a Essência e tenta impedir sua expressão. O fato desta não ser suficiente para tal impedimento, surge uma segunda camada – máscara, sombra – que tenta impedir expressões que a anterior não conseguiu. No entanto, apesar do poder de filtragem dessas duas camadas, a Essência ainda consegue graus diversos de expressão. Portanto, somos neuroses/couraças e Essência ao mesmo tempo, Essência esta que, na figura, é representada pelos espaços e linhas brancas. Este conteúdo desenvolvido dentro da Biossíntese é o principal fundamento que suporta o Método Chiorlin Velloso de Psicoterapia Grupal.

O misticismo oriental demonstra que vivemos no maya, um mundo ilusório, no qual o que parece verdade em realidade não é e vice-versa. De alguma forma isto vem sendo comprovado pela ciência moderna. A psicologia mostra que muito do que somos nos é totalmente inconsciente. Dito de uma forma figurada, muitos dos comandos psicológicos que nos impõem determinados comportamentos, nos são totalmente inconscientes. Assim, dominamos e controlamos alguns poucos deles, portanto, o dito mundo concreto deixa de ser tão concreto e nos coloca na profunda angústia de ser, aparentemente, o que em realidade não somos. Neste ponto o corpo ganha real importância, pois como nos informa Boadella citando Rajneesh, o corpo é a prova concreta de existência neste mundo maya. O corpo é o primeiro material escolar que recebemos quando ingressamos nesta escola da vida e último que aqui deixamos quando nos vamos. É por meio do corpo que tudo nos acontece aqui, é através do corpo que somos o que somos, que fazemos tudo o que fazemos. Desta forma, tudo o que tentamos fazer será sempre através do nosso corpo, é ele que nos dá realidade à nossa existência.

Este método integra Bioenergética, Psicodrama, Biossíntese, Dança dos Chacras, Psicologia Budista, Imaginação Espontânea e Dirigida, Dança e Música e Meditação, visando criar condições para que os clientes desenvolvam seus próprios processos de cura. Após dois anos de experiência, de significativos resultados, de sequência variada, dinâmica e situacional de aplicação, o formato processual mais usual configura-se conforme descrição a seguir.

Abertura é a fase destinada a abrir possibilidade de conexão do cliente com sua essência e contato com seu ground interno (innerground). Integração temática é a fase em que o participante expressa conteúdos emergenciais, identifica seu tema individual que é integrado aos temas dos demais presentes, configurando o(s) tema(s) protagonista(s) grupal(is) por um fio condutor que os ajuda a atravessar um dado portal específico. A fase de integração somática propicia, através de atividade intuitivo-ressonante, que o tema identificado (ectodérmico) seja corporificado (meso e endodermicamente) e integrado aos ground interno e ground externo (outerground).

Este procedimento configura uma viagem interior que ajuda o cliente a descobrir onde o referido tema está alojado em seu corpo. Esta viagem é verbalizada e, através de ação técnico-intuitivo-ressonante do psicoterapeuta, facilita a formação de subgrupos por temas comuns na fase de troca experiencial. A ação psicoterapêutica é a fase em que o psicoterapeuta atua sobre todos os cliente (mais ou menos simultaneamente), ou seja, sobre cada cliente ou subgrupo, trabalhando psicossomaticamente seus temas específicos. O psicoterapeuta ajuda a ampliar seu nível de consciência em relação ao seu específico tema auxiliando-o como agente de sua autocura, cada vez que atua sobre um cliente. Colheita é a fase em que, através de música intuitivo-ressonante, o cliente entra em descanso. Passa por um momento de recolhimento e, a seguir, é convidado a refletir sobre o padrão cristalizado e a encontrar outra maneira que o permita transformá-lo e propiciar sua autocura.

Partilha é a fase em que os clientes expressam suas experiência, descobertas e decisões em relação às transformações pretendidas. Na meditação virtual os clientes estabelecem um acordo definindo o dia e hora em que todos meditarão para todos, visando a ajuda mútua em apoio ao processo de transformação individual, especialmente, em relação a autocura dos temas identificados. Na fase de encerramento, os clientes entram em meditação, fazem uma reflexão sobre uma aprendizagem alcançada neste processo e fecham seus processos por meio de uma oferenda (pudja).

Quando refiro-me a níveis de consciência ou a realidades relativas, estou utilizando esses termos tendo em vista facilitar a compreensão do leitor. Fundamento-me em Ken Wilber e entendo que, tais níveis ou realidades são estabelecidas na medida em que colocamos limites em nossa consciência absoluta. Portanto, quanto mais limites, mais restringimos nossa consciência total. Como o próprio Ken Wilber nos traz, em verdade esses limites não existem. Assim, qualquer conteúdo que um cliente apresente no contexto terapêutico, pertence à sua realidade interior e o psicoterapeuta não pode deixar-se levar por seus valores, conceitos, rótulos, preconceitos ou estereótipos e desconsiderar a realidade particular do referido cliente.

Para demonstrá-lo, relato uma sessão que tive com David Boadella. Algum tempo já se havia passado e David estava sentado atrás de mim trabalhando o meu medo de contato. Até aqui a sessão havia transcorrido quase sem palavras, quando meu estômago começou a fazer um barulho desconhecido. Comentei: “não conheço esse barulho”. Ele perguntou: “o que você acha que é?” Respondi: “parece uma castanhola”. Pediu-me para ficar em contato com essa castanhola e esse contato fez meu corpo sentir vontade de dançar. Comecei a movimentar, quando o barulho do estômago desapareceu, transferindo-se para a musculatura. Minhas mãos iniciaram um movimento como se as castanholas estivessem nelas, pedindo-me para tocá-las. Contatei os olhos de David e senti neles um convite para expressar o que estava emergindo em mim. Fiquei em pé, me senti vestida com roupa de dançarina e passei a dançar como se fosse uma bailarina espanhola. David dançou comigo como se fosse meu par espanhol. Dançamos por um tempo que não sei precisar, mas pareceu-me que durou por toda uma noite. As únicas palavras que David expressou, foram: “traga sua espanhola para a sua vida”. Saí da sessão mergulhada num êxtase de alegria que já conhecia e sabia que em raras ocasiões é possível senti-lo. Este relato tem por objetivo fundamentar as palavras com que iniciei este parágrafo. Boadella simplesmente acompanhou-me no desenrolar da sessão, sem classificação alguma, seguindo minha realidade interior e respeitando incondicionalmente os conteúdos que eu trouxe e, no meu entender, isto é que determinou a forma de trabalho que desenvolveu comigo.

BIBLIOGRAFIA

Boadella, David - Correntes da vida - Summus Editorial – São Paulo – 1992
                     - Nos caminhos de Reich – Summus Editorial – São Paulo – 1985
Capra, Fritjof – Ponto de mutação – Editora Cultrix – São Paulo – 1995
Govinda, Lama Anagarika - Fundamento do misticismo tibetano - Pensamento
                                   - São Paulo – 1995
Pierrakos, John C. – Energética da Essência – Pensamento – São Paulo – 1997
Rimpoche, Gangchen T. - Autocura I – Editora Sherab – São Paulo – 1991
                                  - Autocura II – Editora Dharma – São Paulo – 1993
Tsé, Lao – Tao Te king – Círculo do Livro – São Paulo – 1991
Tulku, Tarthang – Gestos de equilíbrio – Editora Pensamento – São Paulo – 1995
Wilber, ken - Consciência sem fronteiras - Editora Cultrix – São Paulo – 1998
                 - Espectro da consciência – Editora Cultrix – São Paulo – 1995

SÍNTESE CURRICULAR

Maria Vilma Chiorlin
  • Psicóloga – Psicoterapeuta Corporal e Transpessoal
  • Especializada em Psicodrama, Bioenergética e Biossíntese
  • Supervisora de Aplicações Clínicas
  • Supervisora em Biossíntese
  • Estudiosa da Psicologia Budista
  • Musicista
  • Criou e desenvolveu o Método Chiorlin Velloso de Terapia Organizacional
  • Aplicou esse método em empresas como: Volkswagen, Scania-Vabis, Autolatina, Philips, ZF, Rhodia, Polyenka, Ática, GM e Psi-Editorial.
  • Supervisiona aplicações da Terapia Organizacional
  • É membro do Centro Internacional de Biossíntese (Heiden/Suíça)
  • É membro do IBB – Instituto Brasileiro de Biossíntese/SP
  • Apresentou os seguintes temas:
    • Terapia Organizacional no 4º. Congresso Europeu de Psicoterapias Corporais (Strassbourg/França-1993)
    • Terapia Organizacional, Biossíntese e um toque de Espiritualidade no 5º. Congresso Europeu de Psicoterapias Corporais (Marselha/França-1995)
    • Dança da Essencia no 1º. Congresso Internacional de Biossíntese (Palma de Maiorca/Espanha-1998)
    • De inimigo a parceiro no 1º Congresso Internacional de Biossíntese (Palma de Maiorca/Espanha-1998)
  • Ministra Cursos de Especialização em Terapia Organizacional
  • Co-autora do artigo “Harmony in the work environment from the Organizational Therapy view point”, publicado na revista Energy and Character, abril/1996;
  • Autora do livro: A Construção da Terapia Organizacional, Psi-Editorial, 1997.
  • Co Autora dos livros - Terapia Organizacional, Liderança Sistêmica – Transliderança – Ser+T&D – Ser+ Saúde Emocional.
 
 



As redes sociais e a terapia organizacional (texto 1)


As redes sociais e a terapia organizacional (texto 2)

 





 




Congresso Internacional de Bioenergética




Congresso Internacional de Psicoterapias Corporais


 
 



Congresso Corpo e Espiritualidade - Natal

 





   


Congresso Internacional de Biossíntese

 

 

O Self do Psicoterapeuta


 

Em Natal – RN no VII Congresso Internacional de Biossintese – CAMPOS DA VIDA - abril de 2015

Método Chiorlin apresentou:

Tema: Biossintese e a Psicologia Budista.
Realização - Instituto Lumen & Método Chiorlin

Tema: Campos da Vida e a Terapia Organizacional.
Realização - Método Chiorlin


  Apresentação em Portugal no Congresso de Psicoterapias Corporais Europeu. Data de 11/9/2014 à 15/9/2014

Instituto Lumen Ribeirão Preto e a Método Chiorlin apresentaram o Workshop Dança do Corpo e Da Alma. Em Lisboa – Portugal. Maria Vilma Chiorlin e Suely Freitas.



 
  22º Congresso Internacional de Bioenergética. Sicília Itália Maio de 2013 (Clique na imagem do texto para visualizar)



 
 

Palestra sobre Liderança Novos Rumos – III Congresso – Gestão de Pessoas, Liderança como Sustentabilidade das Organizações - Gene de Deus - Outubro de 2008 – ABRH –BA – Salvador




 
  Palestra "A Morte também pode ser poesia" - Congresso Internacional Bioenergética - Búzios